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O equilíbrio comercial é ditado por conta de produzir basicamente aquilo que se vende. No caso do fumo, em que o Brasil é o grande exportador mundial, precisa cumprir contratos internacionais feitos bem antes das entregas. Pelo menos essa é a formatação para entender como funciona a regulação de preço. Havendo muita oferta, maior da necessidade de compra, tende em ser oferecido um preço mais baixo.


O fator positivo da safra 2023/2024, na questão de preços, foi justamente a produção ter recuado 16,1%, na média, até pelas condições climáticas desfavoráveis. Isso, conforme dados oficiais da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), melhorou o preço por quilo em 28% se comparado ao período anterior. E a receita bruta dos produtores no total atingiu R$ 11,783 bilhões e representou um acréscimo de 7,3% ao valor praticado um ano antes.

 

O aumento do número de famílias produtoras e área plantada na safra 2024/2025 traz preocupação econômica. Maior oferta tem como consequência menor remuneração ao produtor, nesse entendimento da Afubra. Até porque o bom valor pago no período anterior atraiu os produtores. Caso de outras comodities agrícolas estarem com altos estoques e preços menos atrativos potencializam a ampliação de lavouras de tabaco no Brasil.

 

O tabaco exerce papel de sustentação para pequenas propriedades rurais familiares. Dentre elas, a maior parte da renda, 56,3%, tem origem na fumicultura para áreas médias menores de três hectares por produtor. Foram em torno de 9% a mais de área plantada na atual safra, segundo estimativa divulgada em novembro de 2024, chegando a 309.982 hectares destinados à cultura nos três estados da região (131.789 no Rio Grande do Sul, 94.212 mil em Santa Catarina e 83.981 no Paraná).

 

Essa mesma estimava previu uma produtividade média em torno de 2,2 mil quilos por hectare na região Sul, sendo 25,67% maior safra anterior. Se isso se comprovar, o volume final pode chegar a 696,4 mil toneladas (mais 37,8%, com o acréscimo de área). Em janeiro de 2025, essa projeção até foi reduzida, mas mesmo assim a safra deve colocar boa oferta de fumo no mercado e, isso, explica o indicativo de preço final menor do período 2023/2024.


Mesmo levando em conta a previsão de crescimento de 10% a 15% no volume exportado para 2025 e valor médio por quilo tendo subido 14,84% no 1º trimestre de 2025, comparado com mesmo período do ano passado, ou média de US$ 6,54, nos três primeiros meses com valor de exportação 8,87% acima, o cenário econômico ainda traz incertezas para o fechamento da safra. Disso a dúvida de quem tem tabaco para vender se aceita o preço ou espera por melhor valorização.


Com informações da Afubra e SindiTabaco e imagem reprodução arquivo/SindiTabaco.

 
 
 

Em 2024, o Brasil exportou 455 mil toneladas para 113 países, gerando US$ 2,977 bilhões em receita ou R$ 16,820 bilhões, levando em conta a cotação desta sexta-feira do dólar. Projeção da consultoria Deloitte prevê crescimento de 10% a 15% no volume exportado para 2025, o que pode elevar o valor total do comércio para até R$ 19,343 bilhões ou US$ 3,423 bilhões. Além disso, preço neste ano, ainda, está melhor.


Comparando em dólar, o valor médio por quilo subiu 14,84% no 1º trimestre de 2025 comparado com mesmo período do ano passado. Do fechamento anual e média de US$ 6,54, nos três primeiros meses o valor de exportação fica 8,87% acima. Se manter esse ritmo, pode elevar ainda mais a receita de exportações do tabaco brasileiro que tem mantido alta competitividade global e média de venda superior a US$ 2 bilhões por ano.


Os dados divulgados pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) citam essa projeção da consultoria Deloitte e levam em conta a projeção de aumento percentual de 10% a 15%, tanto em volume quanto em valor. Essa tendência de preço aparece no relatório do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/ComexStat) que, a apesar de queda de 1,78% no volume, mostra alta de 12,85% no final valor pago.


“A preferência dos clientes internacionais pelo tabaco brasileiro é resultado direto da qualidade e integridade do produto, garantidas pelo Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT)”, afirma Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco. Ele reforça a importância do sistem de integração que “favorece a rastreabilidade, o atendimento às exigências internacionais e a sustentabilidade da cadeia produtiva.”


Nessa estimativa, além do valor das exportações, a "cadeia produtiva do tabaco tem impacto direto sobre a geração de emprego, renda e arrecadação fiscal. Em 2024, o setor gerou cerca de R$ 12 bilhões em receita para os produtores rurais e R$ 17 bilhões em tributos pagos ao governo brasileiro", destaca o SindiTabaco. No Rio Grande do Sul representa 12,55% do total de exportações, ficando apenas atrás do soja.


Ainda, a entidade lembra que o "Brasil é, há mais de 30 anos, o maior exportador mundial de tabaco, destinando cerca de 90% da produção ao mercado externo. É também o segundo maior produtor global, atrás apenas da China". Os principais compradores do tabaco brasileiro no primeiro trimestre de 2025 foram China, Bélgica, Indonésia, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, conforme a ComexStat.

Com informações e imagem do SindiTabaco.

 
 
 

Dados de pesquisa realizada em 2023, pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEPA/UFRGS), apontam que o produtor de tabaco "ganha 117% a mais do que a média do trabalhador brasileiro". Se usar a referência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a situação é ainda melhor, enquanto a renda média brasileira, de acordo com o censo de 2022, era de R$ 1.625,00 a do fumicultor ficou em R$ 3.541,00.


O cenário atual monstra que o tabaco faz parte da economia de 509 municípios da região Sul do Brasil e envolve cerca de 626 mil pessoas no campo, conforme dados do Sindicato das Indústrias de Tabaco (SindiTabaco). A boa rentabilidade em pequenas áreas e garantia de venda da produção são pontos de destaque. Na última safra, a produção de tabaco colocou R$ 11,8 bilhões na conta de de 133 mil produtores, segundo essas informações oficiais.


Ou seja, cada família ficou, na média, com pouco mais de R$ 144 mil de renda bruta. Dividido por 12 meses, seriam R$ 12 mil por mês para cada propriedade produtora de tabaco. Obviamente é necessário descontar os investimentos em infraestrutura, maquinários e custos de produção. Muitas vezes, tudo isso onera muito o fumicultor e tem sido discutido quando das propostas de correção de preço pago aos produtores.


Quando se fala em programas sociais, o Bolsa Família, por exemplo, concede benefício levando em conta a renda mensal por pessoa de até R$ 218,00. Nessa linha de entendimento, um casal com dois filhos menores precisa receber um valor anual abaixo de R$ 10.464,00 para ser beneficiado por esses critérios. Assim, os dados oficiais da fumicultura quase excluem esse grupo de trabalhadores desses benefícios.


Apenas em torno de 5%, em torno 6.650 famílias ligadas à produção de fumo, recebem algum tipo de benefício social do governo. "O bom nível socioeconômico dos produtores de tabaco fica evidenciado na estratificação social: enquanto 80% enquadram-se nas classes A e B, a média geral brasileira nesse estrato social não chega a 25%", conforme o SindiTabaco. Mostrando esse contra-ponto, mesmo no trabalho com alta exigência de dedicação, fomentando melhor rendimento.


Com informações do CEPA/UFRGS, IBGE, SindiTabaco e imagem pixabay/reprodução.

 
 
 
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